[Resenha] – Quem era ela

Em 27.03.2017   Arquivado em Livros, Resenhas

Fazia tempo que um livro não me prendia da primeira até a última página; Comecei a leitura de Quem era ela por conta dos inúmeros comentários positivos que circularam nas redes sociais a respeito da obra, e quando percebi, já estava devorando o livro em busca de respostas. Li as quase 340 páginas em menos de três dias e posso dizer que o livro entrou na minha lista de melhores leituras do ano.

Como você se sentiria que precisasse responder um questionário e seguir regras para morar em uma casa perfeita?! 

Folgate Street, nº 1 foi planejada por Edward Monkford, um renomeado arquiteto e um dos sócios fundadores da Monkford e Associdados. A casa é minimalista e é composta por muita tecnologia, desde uma senha para abrir a porta, até sensores que ligam o chuveiro, e ela é considerada uma casa muito segura. Mas por conta de todas essas qualidades, os interessados em morar em Folgate Street, nº 1 precisam preencher uma série de formulários e realizar uma entrevista com Edward, que tem o veredito final sobre quem poderá morar lá.

O livro é narrado sob a perspectiva de duas personagens: Antes: EmmaDepois: Jane. As diferentes visões a respeito da Folgate Street, nº 1 são importantes para o melhor desenvolvimento e entendimento da história. Jane é a atual moradora da casa, mas aos poucos descobre que a antiga inquilina, Emma, teve uma história misteriosa enquanto viveu ali. Aos poucos Jane se vê envolvida nesse mistério, e tenta descobrir o que, de fato, aconteceu.

Durante a leitura da obra é possível identificar que Jane e Emma possuem algumas características em comum, o que torna toda história ainda mais enigmática. Por conta da narrativa que se alterna, é possível acompanhar a vida de Emma e em que ponto a história de Jane “cruzou” com a dela. E eu adianto uma coisinha pra vocês: são fatos de tirar o sono.

Todos os personagens tem um peso muito forte na história. Eles foram muito bem desenvolvidos e possuem ligações que tornam toda a história por trás de Folgate Street, nº 1 mais misteriosa. É difícil de saber quem está falando a verdade e quem está tentando tirar algum tipo de proveito diante dos fatos apresentados. Além disso, a casa em si também se torna uma espécie de personagem, uma vez que as descrições sobre ela são muito bem detalhadas e ela (sim, a casa!!) pode induzir conclusões a respeito de diversos fatos.

Os capítulos são curtos e o autor soube criar um clima de muito suspense, mistérios e enigmas a respeito da casa e também dos personagens. A impressão que eu tive foi a de que JP Delaney “jogava” informações para o leitor guardar na memória e só trabalhava com isso nos capítulos seguintes. Isso prendeu minha atenção de uma maneira que não sei explicar; só sei que foi muito bom.

Não tenho tempo para pessoas que não se esforçam para aperfeiçoar a si mesmas.

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Quem era ela aborda temas do cotidiano, temas que são considerados tabus nos dias de hoje e também temas que dificilmente são vistos na literatura. O livro quebra paradigmas e faz questão de mostrar que toda ação tem uma reação.

A edição da Intrínseca está um capricho; o livro veio dentro de uma caixinha, sem muitas explicações sobre a obra (e me conquistou logo ali). Eu achei super interessante que os inícios de capítulos são parte dos questionários respondidos pelas personagens, o que me fazia ficar refletindo sobre diversos assuntos da minha vida – e também sobre o rumo que a história estava seguindo.

Eu queria ficar falando sobre esse livro por mais capítulos. Mas o meu medo de soltar algum spoiler é grande. E é sério: o livro só tem graça se você descobre aos poucos o que aconteceu. Mas é claro, se você já leu e quer trocar figurinhas sobre a história, é só me mandar um e-mail

Só peço uma coisa: leiam esse livro! Quem era ela é uma obra de arte e me lembrou bastante os livros da Gillian Flynn. Eu já fiquei imaginando uma adaptação para o cinema e vou indicar esse livro com todas as forças pra todo mundo, hahaha!


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