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21 ago, 2015

[Resenha] – Mosquitolândia



Mary Iris Malone, ou simplesmente Mim, estava passando por um período um pouco crítico em sua vida. Após a separação dos pais, a mudança de cidade e a convivência com a nova madrasta, além de alguns supostos problemas de saúde, nossa protagonista decidiu que era hora de fazer algo diferente, algo que fosse guiado por seus instintos… E assim ela partiu em uma jornada rumo à Cleveland, onde julgava ser seu verdadeiro lar e onde sua mãe se encontrava.

Durante sua viagem, Mim acabou conhecendo pessoas maravilhosas, além de descobrir que a vida nem sempre é justa. Acompanhada de seu diário (e confidente), nossa protagonista foi revelando aos poucos como fora sua infância, a convivência com os pais e a turbulenta mudança de vida. Além de ser uma viagem para reencontrar a mãe, a viagem para Cleveland acabou sendo uma porta para que nossa protagonista se redescobrisse, se sentisse livre e repensasse sobre suas atitudes e julgamentos perante as demais pessoas a sua volta.Gostaria muito de ficar falando e discutindo sobre os detalhes da viagem de Mim, mas eu optei por não falar muito sobre isso porque quero que cada um descubra o verdadeiro significado dessa jornada quando for realizar a leitura da obra. E, obviamente, porque eu poderia soltar algum spoiler sem perceber. Mas já adianto: vocês nunca viram nada como a viagem para Cleveland.

Foi impossível não me apegar pela fragilidade e força de vontade de Mim. Mas, acima de tudo, me senti muito próxima dos demais personagens apresentados na obra. Arlene e sua caixa misteriosa me comoveram muito; Walt e Beck tornaram-se os melhores amigos que alguém poderia desejar; E, obviamente, que os personagens que apenas tiveram uma passagem pela história me fizeram refletir sobre a vida e, em alguns casos, odiá-los por conta de suas ações. Gostaria de aproveitar o gancho para dizer que é impossível não apaixonar-se pela inocência de Walt. Gente, sério! Que menino incrível! Adorei cada momento em que ele deu as caras na obra, me emocionei com sua situação e me senti na obrigação de passar esse sentimento à diante.David Arnold manteve uma linha de raciocínio muito forte e contínua durante toda a narrativa de sua obra. A maneira como ele expôs assuntos que ainda são considerados tabus (por exemplo, o abuso sexual em adolescentes) foi espetacular. Ele soube pincelar todos os detalhes e me surpreender com cada consequência das escolhas dos personagens. Porém, apesar de Mosquitolândia ser uma obra repleta de reflexões e apresentar uma nova perspectiva sobre a vida, eu acabei me decepcionando um pouco com o final – o que me levou a decisão de não favoritar esse livro tão incrível.

Preciso reforçar que toda a história foi bem descrita e estruturada. Eu praticamente quotei o livro inteiro, e estou pensando em fazer um post apenas com os trechos que mais me emocionaram. Vocês bem sabem que eu adoro livros cheios de metáforas e mensagens nas entrelinhas, então por isso que Mosquitolândia acabou tornando-se uma leitura tão prazerosa.

Enquanto a leitura ia fluindo e a jornada de Mim foi ganhando consistência, eu me coloquei inúmeras vezes em seu lugar, afinal, a relação que ela tinha com a mãe sempre foi maravilhosa, o que me fez lembrar sobre a minha própria relação com a minha mãe. Eu sei que isso ficou um pouco confuso, mas a ligação entre elas era indescritível. E tudo o que nossa protagonista planejou e executou para poder rever sua grande inspiração me comoveu muito. Algo que me deixou maravilhada foi a maquiagem de guerra, que se parecia com um mosquito e que vocês podem ver na figura ao lado (fonte). Para Mim, a maquiagem representava algo que era só dela e da mãe, então fazia todo o sentido no decorrer da história.Mais uma vez a Editora Intrínseca colocou todo amor desse mundo em seu lançamento. Não encontrei erros gramaticais e, apesar de possuir uma diagramação singela, fez todo o sentido para a trama – principalmente porque senti que retratava a personalidade de Mim.Porém, contudo, todavia, gostaria de pedir para que vocês também deem uma chance para essa obra. Na primeira vez em que ouvi falar desse livro, eu não dei muita atenção. E foi a Gio que acabou abrindo meus olhos para quão maravilhosa essa aventura poderia ser. Eu demorei mais do que o costume para finalizar o livro, mas foi porque eu não queria acreditar no que estava acontecendo, em como o destino interrompia a jornada (sendo severo algumas vezes) e em como as coisas podem ter outro sentido se observarmos com mais atenção.

Porfavorzinho, leiam esse livro ♥
Câmbio desligo
Cássia Vicentin
Aspirante a blogueira

 

Editora: Intrínseca

ISBN: 9788580577792

Autor(es): David Arnold

Páginas: 352 páginas

Ano: 2015

Skoob | Orelha de Livro

* Livro cedido para resenha pela Editora.