
Então, conheci minha irmã
A morte as separou, um diário as uniu
Christine Hurley Deriso
Editora Gutenberg, 2014
240 páginas
Summer Stetson não conheceu sua irmã. Sua mãe engravidou dela assim que Shannon morreu, aos 17 anos, em um terrível acidente de carro, que se chocou com uma árvore. Ao longo de sua vida, Summer acostumou-se a assistir seus pais repetirem o quanto a irmã era perfeita, amada e boa filha, e por isso sempre acreditou que fosse uma decepção para eles. Ao fazer 17 anos, recebe da tia de presente o diário que Shannon escrevia até o dia de sua morte. Ao ler aquelas páginas para saber mais sobre a irmã, acaba descobrindo alguns segredos, e a cada revelação, sobre a família e sobre si mesma, entende que a verdade pode ser, por vezes, dolorosa, mas nunca deixará de ser libertadora.
Quando comecei a leitura de Então, conheci minha irmã, eu estava sem qualquer expectativa e pensei que seria apenas mais uma leitura e que talvez ela nem me marcasse tanto. No entanto, a obra conta com um enredo maravilhoso e pontos, como por exemplo, a convivência familiar, foram muito bem destacados durante toda a narrativa.
Através dessa obra podemos sentir o que Summer passava. Ela nasceu após a morte de sua irmã e sempre carregou o pensamento de que era porque os pais precisavam sanar a ausência da primeira filha. Summer sempre se culpou por não ser o exemplo de filha/aluna/amiga/pessoa que um dia sua irmã foi. Mas em seu aniversário de 17 anos acabou ganhando um presente inesperado que a fez enxergar as situações do dia-a-dia com outros olhos: um diário que Shannon escreveu antes do acidente em que morreu. Como o assunto “Shannon” era proibido dentro de casa, Summer agarrou a oportunidade de conhecer sua irmã com todas as forças.
Porém, Summer acabou descobrindo que o pouco que sabia sobre Shannon não era de fato, verdade. Sua família criou uma imagem de perfeição a respeito de sua irmã morta, então Summer nunca questionou os fatos. Aliás, a garota tentava ao máximo não seguir os passos de Shannon, pois sempre teve a sensação de que estaria roubando a cena ou algo do tipo. Através do diário, Summer começou a entender melhor como era a vida de sua irmã, seus medos, angústias, desafios e sonhos. Além disso, ela também aprendeu a lidar com sua mãe e entendeu, de fato, o porquê de seu pai ser tão calado. Não era apenas um diário sobre Shannon, mas sim um pouco da história de sua família; e, consequentemente, acabou descobrindo mais sobre si mesma.Mas Summer não estava sozinha nessa jornada: a garota contou com o auxílio de sua tia (responsável pelo presente) e Gibs, seu grande confidente. A propósito, foi esse garotão que segurou a barra quando Summer pensou que iria enlouquecer por conta das descobertas encontradas no diário, e fez um excelente trabalho como melhor amigo de nossa protagonista. Para mim, apesar de ser um personagem secundário, Gibs teve grande destaque na obra como um todo, uma vez que sempre tinha uma solução (mesmo que simples, como um pequeno abraço), para tudo.
Apesar de ser um livro razoavelmente pequeno (240 páginas), “Então, conheci minha irmã” me envolveu de uma forma única. Vale a pena destacar que os personagens foram bem estruturados, e as situações vivenciadas por eles foram muito bem elaboradas/ligadas e não senti falta de qualquer informação. A autora mesclou assuntos familiares, dramas, tabus, romance e (arrisco dizer) comédia, de uma forma tão natural e simplória que, ao terminar o livro, a única sensação que tive foi a de ‘quero mais‘.