Textos

Ser.

Todos dizem que ela é aprendiz de escritora, dona dos versos, sonhadora de histórias… Espalham que ela brinca com as palavras, encanta nas estrofes, faz rima com os sentimentos. Observam como é tudo tão vivido, tão sincero, tão poético, tão único. E de tão clichê que mostra ser, torna-se tão ela, tão menina-moça, que teve o coração quebrado, que faz drama em quaisquer três linhas, e mesmo assim sorri.

Textos

Nos meus braços eu guardo, teus abraços…

— Eu senti sua falta, moço. Senti a ausência da sua presença todas as manhãs. Senti seu cheiro indo embora, das minhas roupas, da minha cama, dos travesseiros… de mim. E eu te procurei em todos os cantos, mas era tarde demais e você não voltaria.

Silêncio.

— E sua vida, como tá?

— Minha vida, moço, é isso que eu vivo todos os dias. Sem novidades, sem borboletas no estômago, sem emoções, desejos, medos…

(…)

— Não precisa olhar pra baixo não, moço. Eu gosto de olhar dentro dos seus olhos. Eu gosto de ouvir sua respiração. E eu gosto de quando você sorri (pra mim).

— Vem pra perto de mim, menina. Deixa eu te abraçar bem forte. Deixa eu fazer cafuné em você.

— Mas depois você vai embora. Eu tenho medo. Estamos perto, e ao mesmo tempo tão longe.

— Eu volto, eu sempre volto…você sabe.

 

Textos

Growing Up

E, sem ao menos perceber, respirou fundo e decidiu que era hora de fazer com que as coisas dessem certo. Abraçou seu travesseiro ensopado de lágrimas que talvez nem tivessem motivos para sair, e sorriu. Sorriu porque teve a certeza de que bons tempos estavam por vir. Sorriu, porque quando se olha no espelho, a imagem que reflete já não é mais de uma garotinha morrendo de medo da vida. “É hora de crescer”.

Textos

Sobre o fim – IV

Observei-a se vestir. Seu corpo nu me dava a certeza de que ela era a incerteza que eu queria manter aquecida dentro de mim. Ela sorria, falava sobre os estudos, dos planos futuros. E eu a ouvia, gargalhava, molhava os lábios com um gole de vinho. Ela colocava os cabelos atrás da orelha, abaixava a cabeça, calçava seu all star desbotado e vinha de encontro aos meus braços. Como sinto falta dos seus abraços! Era um (re) encontro de despedida, talvez. Mas ela soube como me manter dela, em todos os momentos. Seu cheiro? Ainda guardo comigo. Junto com as centenas de respostas que eu esperava ouvir. Mas ela não disse. Ah minha menina. Minha. Só tive a confirmação de que anseia por mim, tanto quanto eu por ela. Até a próxima. Eu volto. Prometo.