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Era mais um dia normal

Cabelos molhados, vitrô fechado, espelho embaçado. Respirava o vapor, enquanto escrevia cinco letras no espelho, dentro de um coração. Apagava tudo, lentamente, sussurrando pra dentro de si o nome dele. Ficou parada, por alguns minutos, observando (mesmo sem querer) cada pedaço do seu corpo refletir, cada milésimo de si mesma ficar à amostra, cantarolando qualquer canção que passasse pela sua cabeça… Era mais um dia normal.
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Sobre o fim – III

Então me deixei levar pelo seu jeito, por seus gestos. Quando dei por mim, já estava envolvida pelo seu corpo, e sua voz rouca já dominava qualquer pensamento que eu pudesse ter. Desejei, mais do que nunca, que aquele tão de todas, fosse apenas tão meu… Conseguiu me convencer de que meu abraço era o melhor que você já havia sentido e que eu ficava linda sem óculos. Eu tive certeza de que era você quem eu queria. Quis gritar, pra quem quisesse ouvir, que era EU e meu. Senti-me segura, te senti sempre por perto, e me senti completa, quando você sussurrou que esperaria o tempo que fosse, que aguentaria meus ‘nãos’. E eu queria que fosse você. Esperava pelos seus telefonemas todas as tardes e gostava de passar horas deitada ao seu lado, olhando dentro dos seus olhos.

Talvez seu jeito frio fosse a maneira mais fácil de me dizer e tentar fazer com que eu me conformasse que havia se acabado. Quis fugir, desejei nunca ter te conhecido, desejei poder dormir novamente nos seus braços. Ou pelo resto da vida. Mas meu desejo de ter você era maior do que tudo. Porque, cá entre nós, se eu tivesse um terço de tudo o que eu peço pra Deus todas as noites antes de dormir, eu estaria ao seu lado agora, conversando sobre qualquer coisa, discutindo sobre o que comer, rindo de qualquer piada sem graça… Mas você estaria comigo.

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Sobre o fim – II

Fez um bico, imenso, tão meigo, espontaneamente sincero e pessoal, como se implorasse por um beijo, como se soubesse que aquele era meu ponto fraco. Fiz-me forte, mas você sabia exatamente, com seus olhos me fitando, como manter-me em suas mãos. Quis te ter, te sentir, fazer com que nossos corpos se completassem, nossos cheiros se misturassem pelo ar… Como eu quis te fazer minha. E você, com sua inocência de sempre, simplesmente sorriu, mordendo os lábios, como resposta. Eu não precisava de mais nada.

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C.

Mas é o mesmo clichê, que quando dito por alguém especial, me fez sentir angustia e pensar: poeta que fala de si sofre muito. Eu já deveria ter entendido. Já deveria ter aprendido, depois de escrever mais de mil palavras sobre um mesmo desamor.