Textos

Desabafo sobre qualquer coisa!

Sabe, já faz tempo, eu parei de acreditar no ‘pra sempre’, parei de esperar tudo – ou nada- das pessoas ao meu redor, comecei a fazer as coisas por mim, para mim. Cheguei a pensar que eu era a mais egoísta, a mais cativante, a mais bipolar. Até que eu descobri que eu sou humana, e como diz aquela frase bem antiga, aquele clichê; errar é humano. Então eu percebi que por mais que eu me esforce, não tem como recuperar o que já passou. Um vaso quando quebrado, pode ser colado, mas sempre restam rachaduras, partes perdidas, esquecidas; E hoje eu sei que, por mais que eu tente escrever, tente colocar palavras em qualquer folha de papel, buscando expressar o que estou sentindo, por mais que eu tente de tudo, eu não consigo. Afinal, eu já não sei mais para quem escrevo, sobre quem escrevo. Não sei onde estão as rimas, as histórias de amor, as palavras que me encantavam.

Talvez os sonhos fugiram de mim, ou apagaram-se, como tantas coisas nos últimos dias….

Textos

08.07

Podia ver o sol se pondo, além do horizonte. Conseguia sentir a brisa do mar sobre seus cabelos. Ouvia algumas pessoas ao seu redor, porém nada se comparava com a doce e suave voz daquele mesmo coração que a feriu covardemente e que fora humildemente corajoso ao pedir perdão. Percebeu, então, que nada mais lhe importava se estivesse com o seu amor. E talvez não existisse momento mais perfeito que aquele em suas memórias. Finalmente ela voltara a sorrir. Sorria então, em companhia de um sorriso perfeito, como se, de alguma forma, se completassem. E era o que havia começado a acontecer: ela descobriu que era, então, somente metade sem seu grande amor. Afinal, seus corações só conseguiam bater sem medo, se estivessem juntos.
Textos

Se de madrugada eu com você sonhar… ♫

Queria que você estivesse aqui… Queria poder te abraçar e fazer brincadeiras idiotas, das quais você morria de rir, e o seu sorriso iluminava o meu. Queria os nossos momentos de volta. Queria suas palavras me dando forças, transmitindo pensamentos, segurando a ponta dos meus dedos quando tudo de errado estava por vir. Te quero, muito, mesmo. Mesmo…

Mas para onde você foi, não tem como voltar, do modo que quero, para mim. Agora, tu cuida de mim aí de cima, fazendo-me carinho pelos meus sonhos – nossos sonhos – me consolando entre lágrimas não-derramadas. Me chama de Pitxitica entre as memórias, com sua voz de avô-coruja, me abraça, nosso amor me consome e a saudade me mata.
Eu te amo, vovô!
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Fev/2010

Foram suas ultimas palavras, e ele mal sabia o efeito que elas tinham sobre mim. Depois daquele quatorze de Março, comecei a perceber que nem tudo seria como eu desejava. Enquanto eu me esforçava pra não deixar as lágrimas caírem sobre meu rosto, você virava, como se já quisesse faze-lo antes, indo em direção à porta dos fundos.

Permaneci inquieta, com uma explosão de sentimentos dentro de mim. Mas era hora de ser forte, de provar à mim mesma, acima de tudo, que a garotinha havia crescido.

E por mais que eu quisesse sair correndo, como quando éramos dois apaixonados encontrando-nos às escondidas, eu não poderia. Seria impossível descrever-te o quanto eu queria que meu corpo fosse de encontro à seus abraços, e nos beijássemos lentamente, ardentemente, como em um filme, talvez até, como fomos um dia.

Entretanto, nosso tempo já havia se esgotado, e ambos estavam em seus limites. Fechar os olhos e fingir que nada havia acontecido seria covardia, e não resolveria metade dos nossos problemas. Era a nossa vida que estava se acabando.
Pensei novamente em chorar. Lembrei-me das vezes em que você me via chorando, dizendo que não adiantaria nada, que só tornaria-me mais fraca.

Só nos restariam as lembranças de uma vida dividida lado a lado, com companheirismo, carinho, sonhos divididos, desejos multiplicados, risos, aquela sensação de primeiro amor.

Um dia, talvez, nos esbarremos em qualquer rua. Sem intimidade, não saberemos como nos cumprimentar, daremos boas risadas relembrando velhos tempos, teremos vergonhas de intimidades vividas, perguntaremos um ao outro como está a vida, o trabalho, a família… Ninguém irá perceber que um dia fomos um.

Talvez você chore, ao sair por aquela porta, e perceba o quão injusto foi. Só que talvez não é uma certeza. E eu já não aguento mais viver com essas duvidas e mudanças de comportamento. É, a hora do adeus chegou, instalou-se sobre nós, partiu.

Fevereiro de 2010