Desde que comecei a ler as primeiras resenhas de Aristóteles e Dante descobrem os segredos do Universo, fiquei hiper ansiosa para poder conferir a história com mais detalhes. Então, assim que recebi meu exemplar comecei a leitura sem medo de ser feliz – e foi uma das melhores decisões que tomei em 2014.
O livro nos conta a história de Dante e Ari, dois garotos que possuem muito em comum e que, juntos, acabam descobrindo o sentido de inúmeras coisas. Por serem descendentes de mexicanos vivendo em um Texas totalmente diferente dos dias de hoje (década de 1980), Ari e Dante tornam-se uma espécie de refugio um para o outro, e a amizade deles acaba crescendo mais e mais.
Ari sempre fora muito solitário, sempre questionou a família sobre diversos assuntos e espera que, um dia, todas suas perguntas sejam respondidas. Por ser um pouco diferente dos garotos de sua idade, Ari acaba fechando-se em seu mundo e aprende a lidar com grandes problemas de uma forma madura e sem perder a cabeça (bom, pelo menos é o que tenta). Para balancear a história, temos Dante. Um garoto que não aceita muito bem suas origens, mas que é dono de si e tem um relacionamento de muito amor e respeito com a família (mesmo que não fique visível em muitos momentos). Diferente de seu amigo, Dante torna-se fiel aos seus ideais e não dá muita importância para a opinião alheia. Ele se aceita e isso é muito bonito.
A narrativa é feita sob a visão de Aristóteles e em vários momentos fiquei com o coração nas mãos me perguntando o que será que Dante estaria pensando sobre o assunto. Tudo no livro é muito simplório e natural. Os acontecimentos seguem uma linha tênue, que acompanha o sincronismo de toda obra.
Os detalhes sobre cada ação são passados de uma forma singular para o leitor; Tudo é despejado na medida certa, o que instiga a imaginação de quem está lendo, fazendo com que o leitor-expectador torne-se parte da história de uma hora para outra.
Não posso negar que o livro me chocou em inúmeros momentos. O verão de 1987 realmente ficou marcado em mim, principalmente porque consegui, ao lado de Ari e Dante, descobrir alguns segredos do Universo (e, cá entre nós, também fiz parte do universo particular deles ♥). Embalados n’uma trilha sonora de tirar o folego, os dois adolescentes acabam percebendo que o bem estar está nas coisas simples da vida.
Durante a leitura, pude acompanhar o amadurecimento dos personagens, a conquista dos seus sonhos, seus medos, os dramas vividos dentro de casa e o verdadeiro valor de uma amizade. No entanto, apesar de ser uma incrível história escrita de uma forma um tanto quanto poética, Aristóteles e Dante descobrem os segredos do Universo me fez sentir diversas emoções, entre elas tristeza, raiva e felicidade. O que cada um dos protagonistas teve que viver foi realmente diferente de tudo o que já li. Mas calma, não digo no sentido ruim da coisa. Foi algo diferente da minha zona de conforto.
Acredito que tudo isso aconteceu por ser uma história comovente e totalmente possível de tornar-se real em algum lugar do Mundo. Benjamin Alire Sáenz quebrou paradigmas e bateu de frente contra a luta preconceitual.
Me faltam palavras para descrever quão maravilhoso esse livro é! É uma trama totalmente diferente de tudo o que já li. Enquanto devorava a história, ia trocando figurinhas com o Adriano do GeraçãoLeitura.com e tivemos praticamente as mesmas opiniões sobre os personagens e o desenrolar da história. O final foi surpreendente e o autor está de parabéns por criar dois protagonistas tão reais e verdadeiros. No mais, posso dizer que todos que tiverem oportunidade deveriam ler essa obra tão maravilhosa e entender porque só tenho elogios sobre a história.
Quotes

“Não falar pode deixar alguém muito solitário.” – Página 22
“- Porque quando você decide fazer uma coisa, precisa saber exatamente o que está fazendo.” – Página 58
“Então passei a me chamar Ari.
Se tirasse uma letra, meu nome seria Ar.
Achava que devia ser ótimo ser o ar
Eu poderia ser alguma coisa e nada ao mesmo tempo. Ser necessário e invisível. Todos precisariam de mim e ninguém conseguiria me ver.” – Página 98
“Gostava de ouvi-lo rir; fazia as coisas parecerem normais. Parte de mim pensava que as coisas nunca mais seriam normais.” – Página 144
Editora: Editora Seguinte
ISBN: 9788565765350
Autor(es): Benjamin Alire Sáenz
Páginas: 392 páginas
Ano: 2014
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