“Máscara”, do autor Luiz Henrique Mazzaron, lançado em 2013 pela Editora Novo Século é uma história muito assustadora, capaz de mexer com o psicológico de quem está lendo. Fiquei feliz pela qualidade da escrita de Luiz; é gratificante saber que a nossa literatura está sendo valorizada e, para mim, o autor merece destaque no mundo literário. O livro não se encaixa na categoria de ‘livros-para-serem-lidos-antes-de-dormir’ e a leitura está longe de ser considerada leve. A leitura de “Máscara” exige muita atenção e raciocínio rápido. Posso dizer que é um livro muito, mas muito tenso.
Nosso protagonista em “Máscara” é Liam, um garoto que vive com o tio e não é feliz. Quando ainda era uma criança, Liam sempre teve pesadelos com um ser mascarado que o assombrava, mas nunca soube o que isso significava. Seu tio sempre fora um péssimo exemplo de pessoa, e após uma situação muito estranha, Liam se vê livre do seu carrasco e encontra, em meio a uma tragédia, a oportunidade de finalmente ser feliz.
No exato momento em que Liam se vê livre do tio, sua vida cruza com a dos funcionários da delegacia da cidade onde vivem, e rapidamente criam laços de afeto. Sendo assim, os agentes Ryan e Craig levam o garoto para um orfanato, até que as coisas se resolvam. Mas o que ninguém esperava era que o ser mascarado dos sonhos de Liam iria tornar-se real e causar um grande massacre em Green Valley. No momento em que percebe que está entre a vida e a morte, Ryan pede para seu fiel amigo – Craig, que leve Liam para longe dali. Essa decisão tomada em um momento de desespero torna-se o divisor de águas nas vidas de Liam e Craig, além dos demais personagens que por ventura conseguiram escapar com eles para longe do massacre.Os anos se passaram e nesse ponto o autor deu inicio a segunda parte da história. Poderia dizer que a primeira foi apenas uma introdução, para que os leitores pudessem sentir um pouco da tensão que o livro apresentaria no decorrer dos capítulos. Eis que Liam se vê livre dos pesadelos, e tudo está em paz e em plena tranquilidade na nova casa da “família”. Craig, Liam e os demais sobreviventes, se hospedaram em uma residência que pertencia a Ryan, que serviu como um lugar para recomeçar. Mas o senhor mascarado conseguiu encontrar Liam e transformou sua vida em um inferno muito pior do que anos antes.
Após uma tremenda reviravolta, Liam se vê preso dentro do mundo de Domus e é obrigado a jogar um jogo extremamente cruel, onde ele precisa decidir entre a vida e a morte de pessoas que ele sequer viu em sua vida. Durante o jogo, a trajetória de Liam é muito sofrida e enigmática. Ninguém sabe porque ele é o principal jogador, mas tudo gira em torno de suas decisões. As partes em que Liam precisava decidir entre salvar ou não alguém, foram as mais difíceis durante a leitura; No entanto, todas as pessoas que eram julgadas por nosso jovem-guerreiro, tinham alguma culpa no cartório. E ai fiquei me perguntando: “E se existisse, de fato, esse real julgamento no mundo em que vivemos?! Será que ele seria um lugar melhor, ou seria transformado em um completo caos?”. Fiquei chocada em como Luiz conseguiu criar um mundo paralelo tão parecido com o nosso nesse contexto.
Enquanto Liam está preso dentro do mundo de Domus, Craig e Ryan tentam encontrar uma resposta para os enigmas que estão acontecendo. Liam sumiu misteriosamente do “mundo real”, além de outros membros da família sobrevivente. Os detetives ainda precisam desvendar os mistérios que começam a surgir no mundo real, que, para eles, não fazem o menor sentido. Pode parecer confuso no começo, mas o autor soube transmitir exatamente o que queria, de uma forma não muito complicada de entender. Mas, como já disse, “Máscara” é um livro que deve ser lido com muita atenção. Exemplo disso, é que tive que voltar e reler algumas páginas só para entender o que estava acontecendo – e isso aconteceu várias vezes durante a leitura.
Além da criação desse cenário horripilante (e, ao mesmo tempo, muito real), Luiz também foi muito feliz na criação dos personagens que envolvem a trama. Cada um possui uma particularidade, além de reações muito humanas. Uma das poucas “regras” do jogo é que o grupo formado por Liam e os demais participantes se mantenham unidos até o final. No entanto, cada um quer salvar a própria pele, e muitos acabam caindo em “tentações”, e tentam ao máximo esconder o que realmente desejam. Mas, o principal objetivo do jogo, é provar para Liam que o mundo real não é o melhor lugar para se viver, que existem pessoas que não ligam para nada, além do próprio nariz; e que, infelizmente, pessoas que praticam crimes por “necessidade” (por exemplo, falta de comida), são julgadas como se tivessem matado alguém.
O livro termina na transição para o segundo, e posso adiantar que estou extremamente ansiosa para ler sua continuação. A escrita de Luiz é maravilhosa, e ele está de parabéns. É impossível não ficar com uma sensação de quero mais ao finalizar a leitura. A Editora Novo Século também fez um trabalho maravilhoso na diagramação e revisão. Um excelente livro que todos deveriam ler.