Hoje a mãe do meu amigo morreu… E isso mexeu demais comigo. Pelo que me contaram, ela morreu ali, nos braços dele. Não vou ficar entrando em detalhes, até porque eu não os tenho, e também pelo fato de que eu não gostaria que, se fosse comigo, pessoas comentassem sobre o assunto.Apesar de não termos muito contato, eu não queria que ele passasse por isso, não tão cedo.
A parada é que, quando eu soube, a primeira coisa que me veio na cabeça foi “e se fosse a minha mãe?”. Eu quis chorar e comecei a pensar em todas as vezes em que, com raiva, eu desejei que ela sumisse, que não existisse, que fosse embora… Lembrei de quando eu disse “Você não sabe ser mãe!” e das vezes em que brigamos pelo seu medo de me perder. Engraçado isso né?! A gente nunca pensa que vai acontecer, mas um dia, acontece. Um dia, mais cedo ou mais tarde, os setenta e poucos anos chega, e você sabe que a hora do descanso tá chegando… E que um dia, vão se encontrar.
Minha vontade foi de fazer alguma coisa pra que a mãe dele voltasse. Isso mesmo: Eu queria que mães nunca tivessem que partir (seja lá pra onde).
Hoje, quando eu sai do serviço, fui direto pro serviço da minha mãe. Fui até lá, porque precisava sentir ela comigo, precisava receber e entregar carinho, e dizer que ela é a mulher da minha vida, que eu a amo. E que, não importa o quanto a gente brigue, ela sempre será o meu mundo, a minha razão. Eu precisava e preciso dela.
No caminho pra minha casa, fiquei pensando que meu amigo não precisa que as pessoas sintam pena ou dó dele, ele não precisa da piedade. Ele só precisa de tempo, pra aceitar tudo isso, e seguir sua vida.Um dia ele entenderá que foi o melhor pra ela, que hoje está em paz.
Podem me chamar de sem coração, mas a vida é assim. E acreditem: dói muito mais pra uma mãe enterrar um filho, do que pra um filho enterrar uma mãe.